Romário faz apelo para que governos estadual e federal solucionem situação da UERJ

Em discurso, na manhã desta quinta-feira (20), o senador Romário pediu solução para a crise financeira vivida pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A instituição de ensino iniciou suas aulas somente na última semana, três meses após o início do período letivo e com o salário dos professores e servidores atrasado desde fevereiro.

“Apesar da atitude heroica de professores e servidores, que iniciaram as aulas como um aceno de esperança para a comunidade, a situação é insustentável. Eu faço aqui um apelo ao governador Luiz Fernando Pezão e ao governo federal, para que juntos encontrem uma solução para que a UERJ retorne à normalidade”, clamou o senador.

Com as aulas suspensas desde agosto de 2016, por falta de recurso para manter sua estrutura, a UERJ, uma das maiores universidades estaduais do país, amarga a pior crise financeira da sua história. Os prejuízos vão além, são quase 8 mil estudantes sem receber a bolsa permanência há dois meses e o restaurante da universidade, conhecido como “bandejão”, não está funcionando, ou seja, não há opção de baixo custo aos acadêmicos.

A UERJ é a quinta maior universidade do país e a décima primeira da América Latina, atendendo a mais de 43.000 alunos. Nas proximidades, o comércio local, criado para atender alunos e funcionários, também sente as consequências da ausência de público e alguns estabelecimentos já pensam em fechar as portas. “Eu entendo que o Rio de Janeiro inteiro está em crise e que uma solução para a crise do estado é complexa, mas peço aos políticos e gestores que encontrem uma saída, mesmo que temporária, para o pagamento dos salários e bolsas de estudo da UERJ”, declarou Romário.

Para o senador, a solução para a crise não é retirar o recurso das universidades e sim investir nestas instituições. “É a educação que vai salvar este país. A educação forma cidadãos conscientes, que não permitirão que a corrupção se alastre novamente. A educação forma empreendedores e profissionais capacitados, que conduzirão o país para o caminho do crescimento”, finalizou o parlamentar.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

DISCURSO NA ÍNTEGRA

Senhora Presidente, hoje eu vim aqui a Tribuna falar da UERJ, que enfrenta a maior crise financeira de sua história, e por isso não teve condições de iniciar o semestre letivo em fevereiro. Após três meses de atraso, as aulas foram iniciadas na segunda-feira da semana passada, mas a situação continua desesperadora.

Os salários estão atrasados. Servidores e professores não receberam os salários de fevereiro e março, nem o 13º salário. Muitos estão se desfazendo do patrimônio que conquistaram com tanto suor, ou contraindo empréstimos no banco para sobreviver.

Quase 8.000 estudantes estão sem receber a bolsa permanência há dois meses. A grande maioria não tem condições de frequentar as aulas sem essa bolsa, e o mesmo acontece com técnicos e até professores.

O bandejão da Universidade está parado, o que dificulta ainda mais a situação de quem está sem salário e fica sem uma opção de baixo custo para se alimentar.

Então, Senhora Presidente, apesar da atitude heroica de professores e servidores, que iniciaram as aulas como um aceno de esperança para a comunidade, a situação é insustentável.

A UERJ é a quinta maior universidade do país e a décima primeira da América Latina, atendendo a mais de 43.000 alunos. É muito triste ver uma universidade consolidada, uma instituição com um papel tão importante para o meu estado, ser tratada dessa maneira.

É muito triste ver a UERJ ser desmontada, levando consigo décadas de pesquisas e abandonando uma geração de estudantes, já tão descrentes do futuro.
São jovens que enfrentaram imensas dificuldades para chegar à universidade pública e nela permanecer, e que depositam em seus estudos, na UERJ, a esperança de uma vida melhor.

Isso não pode acontecer, Senhora Presidente, e eu faço aqui um apelo ao governador Luiz Fernando Pezão e ao governo federal, para que juntos encontrem uma solução para que a UERJ retorne à normalidade.

Eu entendo que o Rio de Janeiro inteiro está em crise, e que uma solução para a crise do estado é complexa, mas peço aos políticos e gestores que encontrem uma saída, mesmo que temporária, para o pagamento dos salários e bolsas de estudo da UERJ.

Com isso e com os recursos para manter uma infraestrutura mínima, ganha-se algum tempo para resolver todo o problema sem causar tantos danos à comunidade.

Senhora Presidente, eu presidi a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, e esses dois anos de trabalho só reafirmaram a minha crença de que é a educação que vai salvar este país.

A educação forma cidadãos conscientes, que não permitirão que a corrupção se alastre novamente. A educação forma empreendedores e profissionais capacitados, que conduzirão o país para o caminho do crescimento.

A solução para a crise não é tirar dinheiro das universidades. A solução para a crise é investir nas universidades. Não podemos deixar essa absurda inversão de valores ditar o discurso ou as ações, nem no Rio de Janeiro nem aqui no Congresso.

Por isso, Senhora Presidente, eu desejo que a UERJ se torne o símbolo, para o estado e o país, dessa retomada da educação como prioridade. É nas crises que se afirmam os valores mais importantes. É nas crises que se forma a visão que vai nos guiar nos dias melhores, que certamente virão.
Às Senadoras e Senadores do Rio de Janeiro, dos estados vizinhos e de todo o Brasil, eu peço que se juntem a essa corrente e ajudem a UERJ. O retorno virá multiplicado, eu tenho certeza.

Era isso o que eu tinha a dizer. Muito obrigado, Senhora Presidente.

Ascom

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